Filet à Borgonha – Casa da Suiça

Imagine um elegante restaurante francês no século XIX. É assim o ambiente da “Casa da Suíça“, o restaurante carioca que vamos falar no post de hoje.

Filet à Borgonha - Casa da Suiça

O interior do restaurante Casa da Suiça

O restaurante é um dos mais tradicionais do Rio de Janeiro. Sua fundação foi feita pela colônia suíça do Rio, que criou a Sociedade Filantrópica Suíça em 1927 e o restaurante em 1930.  Ao longo dos anos, a colônia suiça diminuiu com o crescimento de São Paulo e a transferência da capital para Brasília. Por isto, a Sociedade Filantrópica acabou. Mas o restaurante ficou. E se firmou como um dos melhores do Rio. Desde 1987, o restaurante realiza anualmente Festivais Internacionais de gastronomia altamente concorridos a prestigiados.

O restaurante é de propriedade, há mais de 3 décadas, de seu próprio chef, o badalado austríaco Volkmar Wendlinger, grande especialista em fondues e flambados.

O chef, Volkmar da Casa da Suiça

O chef, Volkmar da Casa da Suiça

Chegar ao restaurante, que fica no bairro da Glória é uma experiência singular. O bairro é bonito de dia, mas à noite as proximidades viram pontos de travestis. Mas, assim como qualquer lugar da zona sul do Rio, é bem fácil achar um taxi.

Não há nenhuma grande placa e é difícil perceber que existe um restaurante dentro do prédio de apartamentos onde está localizada a “Casa da Suíça”. Mas uma vez dentro, você observa o requinte do lugar e sente os aromas dos fondues servidos à mesa. Parece mesmo uma viagem no tempo: as mesas, uniformes dos garçons, a decoração, tudo lhe leva a 1930.

Bernardo e Priscila na Casa da Suiça

Bernardo e Priscila na Casa da Suiça

O atendimento é impecável e o prato da boa lembrança, chamado “Filé à Borgonha” é formidável. O filé mignon é cortado em cubos e marinado em vinho tinto. Depois, é flambado com conhaque e colocado junto ao molho demi-glace (um clássico da cozinha francesa, feito à base de ossos e mocotó).

Filet à Borgonha - Casa da Suiça

Filet à Borgonha – Casa da Suiça

Ao fim desta explosão de sabores, uma sobremesa Parfait Glacê de chocolate para “arrematar”. Dá pra ver porque o restaurante já dura 83 anos e segue mais vivo do que nunca. Vale a visita!

Minerim Pomposo – Viradas do Largo

COISAS DE MINEIRO

O virada’s veio prasse bem assim:

Minero é alegre quinem incontrá um amor qui tava viajano

Fais uns trem bão iguarzinho cumé dacasa damãe dagente, a gente gosta di fazê, i cumê hoje sem sabê quequi vai fazê amanhã.

Dispois, com alegria di tê cumido bem hoje a gente ispera pelo inusitado dotrodia.

Tem cumé di tomá pinga junto

Tem cumé di lembrá davó

Tem gustusura di cumê rezano

E tem bondade misturada com gustusura

E só passá na porta, telefoná, priguntá.

Sossê num quizé aquilo kitateno, si fô pussivi agente faiz aquilo kocê tá cum vontade.

Ô tumem cum sardade di cumê.

Ai intão vai vê untantokiebão!!

Já tamu ti isperano cum muita sardade!!

Esse é um poema feito pela simpática chef Beth Beltrão que é a mineira responsável pelos maravilhosos pratos do restaurante Viradas do Largo.

 

A chef Beth Beltrão

A chef Beth Beltrão

O restaurante fica localizado na cidade de Tiradentes, todo brasileiro tem que conhecer as maravilhosas cidades históricas de Minas Gerais, os mineiros então tem a obrigação.

A história de Tiradentes começou  em 1702, quando o paulista João de Siqueira Afonso localizou na região metais preciosos fundando ali o Arraial Velho de Santo Antônio. Somente em 1889, em homenagem ao inconfidente mineiro, Tiradentes ganha seu nome e é elevado a categoria de cidade.

A bela Tiradentes, Minas Gerais.

A bela Tiradentes, Minas Gerais.

O amor à história e aos pratos da Boa Lembrança que nos trouxeram até essa chamosa cidade que vive do artesanato, do turismo e do comércio de móveis de madeira de demolição.

O Viradas do Largo fica em uma das ruazinhas de pedra no alto de um morro. Você chega a pensar que está indo no lugar errado, afinal todos os demais restaurantes ficam no centro, na vista dos turistas. O local é uma das casas antigas e bem conservadas da cidade. Na entrada já se avista os pratos da boa lembrança decorando o ambiente e um fogão de lenha de dar inveja.

O restaurante é divido em dois ambientes, sendo um deles uma varanda com três mesas de frente para um mar de couves. Isso mesmo: couves, aquelas verdinhas que contém muito ferro e são ótimas na alimentação.

O "mar de couves" do restaurante Viradas do Largo.

O “mar de couves” do restaurante Viradas do Largo

É um ambiente muito agradável, a chef é um encanto. Ela vem até a mesa e lhe convida para conhecer a sua cozinha, ver como tudo funciona e ainda deixa você mexer nas panelas. Tenho tanta coisa boa para falar do Viradas do Largo que esse texto não acabaria nunca, então vamos falar do prato Minerim Pomposo.

Trata-se de um escondidinho de bacalhau com batata baroa (conhecida como batatinha salsa ou mandioquinha). Uma combinação que a principio parece estranha, mas é de comer rezando. Dá dó de comer, de tão lindo que o prato é. Lindo e gostoso.

`O prato Mineirinho Pomposo do restaurante Viradas do Largo.

O prato Mineirinho Pomposo do restaurante Viradas do Largo.

Viradas do Largo e Tiradentes  deixaram saudade, como diz o poema da chef:  Já tamu ti isperano cum muita sardade!!

Pode ter certeza, Beth Beltrão, que assim como Tiradentes, o Viradas do Largo é inesquecível e sempre estará na nossa lista. Parabéns pelo restaurante e pelos poemas.

Poisson à La Vapeur – Gomide

O restaurante Gomide fica na maravilhosa capital mineira, Belo Horizonte. Ele é um dos restaurantes que fazem parte da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança, e por isso fomos até lá. Fica localizado na charmosa região de Lourdes, num lugar muito fácil de achar. Fomos à noite, e a rua estava tranquila e foi muito fácil estacionar em frente ao restaurante, que possui manobrista e segurança.

A entrada do restaurante é um verdadeiro encanto. Conta com oito mesas bem decoradas  para duas e quatro pessoas em uma aréa externa muito agradável e romântica para um jantar a dois.

Interior do Gomide

Interior do Gomide

O restaurante conta com uma área reservada no lado de fora, como se fosse um quintal de uma casa, para festas particulares. É impressionante a alta quantidade de garçons por metro quadrado. Não por acaso, o atendimento é divino.

Infelizmente não pudemos pedir nenhum vinho da maravilhosa adega que dispõe de mais de 140 rótulos: em BH a lei seca não está dando descanso aos motoristas. Se você não conseguir resistir é melhor ir acompanhado de alguém que não beba e saiba dirigir no intenso trânsito da cidade, que já está ficando infernal mesmo à noite.

Aliás o restaurante conta com um detalhe que não é muito comum: uma carta de azeites, além da carta de vinhos. Vale a pena conhecer.

O cardápio é bem variado e todos os pratos sofisticados. O prato da boa lembrança foi o “Possion à La Vapeur”.

Poisson à la vapeur

Poisson à la vapeur

Trata-se de uma posta alta de badejo feito ao modo “poche” com aspargos. Os aspargos frescos são inteiros e dão trabalho para serem cortados com a faca de peixe. O molho é feito basicamente com tomates, manjericão, manteiga e ervas finas. O limão siciliano e a trufa dão o toque final, tornando o prato muito saboroso.

Poisson à la Vapeur, o prato da Boa Lembrança do Gomide

Poisson à la Vapeur, o prato da Boa Lembrança do Gomide

Deu para ver porquê o chef da casa, Hendres Almeida, conhecido como China, foi eleito pela revista Gula o “Chef Revelação”.

Vale a pena conferir!