Entrecôte do Barão – Esch Café Leblon

Hoje é um dia especial de nosso blog! Vamos ter o post de estréia da nossa nova colaboradora, Liz Liberato. Assim como nós, ela é fã da culinária brasileira e de seus restaurantes, ávida colecionadora dos pratos da Boa Lembrança. Ela vai escrever com a gente. Se você também é assim e quer ser nosso colaborador, escreva para nós em: http://pratodaboalembranca.com/contato/

Então, vamos lá:

Por Liz Liberato.

Viajar ao Rio é sempre uma festa: paisagens lindas, praias famosas, shows, teatros, alta gastronomia e, se você for um ávido colecionador de pratos da Boa Lembrança, estará no céu. É que a capital fluminense é uma das cidades com mais restaurantes associados, num total de dez.

A missão da vez era conseguir o novo pratinho do Esch Café Leblon, o Entrecôte do Barão.  Embora o restaurante seja muito bonito, decorado ao estilo de New Orleans; localizado no coração do Leblon e sempre sirva pratos deliciosos, a missão me deixava apreensiva. É que o Esch, além de restaurante é, antes de tudo, uma charutaria (já observaram que todas as cerâmicas têm um desenho de um bicho fumando?).

Os charutos do Esch Café Leblon

Os charutos do Esch Café Leblon

Ostentando o selo do Governo cubano – a casa do habano – que garante a autenticidade dos famosos charutos da ilha de Fidel, o local reúne apreciadores de tabaco, que ali se encontram para beber, comer e fumar seus cigarros, cachimbos e charutos sem que ninguém possa reclamar. Portanto, se você, assim como eu, não é fã daquela fumaça toda, pode estar em maus lençóis, uma vez que o restaurante é fechado, não conta com varanda e nem, por óbvio, com área de não fumantes.

Esch Café Leblon

Esch Café Leblon

Porém, colecionador que é colecionador não se detém por qualquer obstáculo. Então, depois de algumas visitas ao local, seguem dicas que podem amenizar a situação:

1-      Prefira o almoço ao jantar, pois o restaurante está mais vazio;

2-      Procure chegar o mais cedo possível (por volta de meio-dia) porque além de encontrar menos fumantes, você terá a oportunidade de ficar em uma das três pequenas mesas localizadas ao lado da entrada. Ali existem janelas que estão sempre abertas e ajudam a dissipar a fumaça;

3-      Separe uma roupa somente para ir ao restaurante. Ai sair de lá, você estará empregnado com o cheiro do tabaco.

Mas vamos ao que interessa: o prato. Mais uma vez a culinária do Esch Café não decepcionou. O entrecôte Black Angus grelhado com molho rôti, além de generoso, é muito saboroso e suculento. Acompanhado de espaguete de legumes (legumes cortados em formato de espaguete) e batata rústica (batata em gomos, assada com alecrim, sal e pimenta) ficou perfeito!

Entrecôte do Barão - Esch Café Leblon

Entrecôte do Barão – Esch Café Leblon

Para finalizar com chave de ouro, peça o tradicional brownie com sorvete. Ele vem nadando em uma farta calda de chocolate quente. Delícia!!

Entrecôte do Barão - Esch Café Leblon

Entrecôte do Barão – Esch Café Leblon

Saindo dali, aproveite a brisa do mar e respire fundo, tome um bom banho e parta em busca de novos pratinhos.

Arroz à Amado – Hermengarda

O restaurante Hermengarda tem seu nome em homenagem à avó do chef Guilherme Melo. Fica localizado na Rua Outono no delicioso bairro do Sion na capital mineira. Aliás, o restaurante está bem no comecinho do Sion, próximo à Savassi.

Belo Horizonte, como toda capital, foge um pouco do aconchego das cidades do interior de Minas Gerais com construções modernas, ruas largas e com muitos semáforos, trânsito intenso, e muita correria.

Mesmo assim, o restaurante Hermengarda conseguiu manter um pouco a raiz mineira do interior. Ele fica localizado em um lindo e conservado casarão da década de 40. O local não tem estacionamento, mas isso não causa nenhum transtorno, já que a rua também lembra muito o interior de Minas e foi fácil achar uma vaga para o carro, além de existir manobrista se você preferir.

Como fica localizado em uma casa, o restaurante é dividido em vários ambientes e logo na entrada já avistamos vários pratos da boa lembrança decorando o ambiente e a cozinha onde são preparados os maravilhosos pratos.

As belezas dos detalhes do Hemengarda

As belezas dos detalhes do Hemengarda

É necessário fazer reserva, principalmente nos finais de semana,pois a procura pela qualidade do restaurante é alta e você corre o risco de ficar sem desfrutar dessa experiência.  A reserva pode ser feita por telefone ou pela web site dele, o que em uma cidade grande é muito prático.

E se você for do interior, lembre-se de sair de casa com antecedência, pois o trânsito não ajuda e os garçons são britânicos. Fazem questão de dar, com muita classe, aquele puxão de orelha caso você se atrase.

O chef Guilherme Melo formou-se pelo Senac  e foi aprendiz do chef Ivo Faria do restaurante Vecchio Sogno, que é considerado o melhor restaurante de BH (mas isso é assunto para outro post) e aprendeu muito bem a arte de cozinhar.

O cardápio do Hermengarda é tão recheado de delícias variadas que fica difícil escolher o prato. Entre eles, maravilhas mineiras, como o risoto de feijão (arroz, feijão, couve e costelinha de porco, hummm!).

O chef envia para os clientes um agrado (couver) que é um caldo de abóbora extremamente suave servido em copinho de cachaça. Bem coisa de “mineirin” mesmo, né?! Uma delícia, e realmente consegue agradar a todos.

Delicioso Caldinho de Entrada

Delicioso Caldinho de Entrada

E o tão esperado prato foi o Arroz à Amado. Mesmo Minas não tendo mar o restaurante conseguiu fazer e muito bem feito um prato à base de polvo. É uma espécie de risoto de tentáculos de polvo com legumes cozidos, queijo coalho (dando um sabor irresistível), castanhas do Pará (cozidas)e leite de coco misturado a alguns pedaços de banana.

Arroz à Amado - Hemengarda

Arroz à Amado – Hemengarda

Uma mistura incrível de sabores que nos faz lembrar a Bahia de Jorge Amado, a quem o restaurante parece fazer uma homenagem com o nome do prato.

Arroz à Amado - Hemengarda

Arroz à Amado – Hemengarda

Não resistimos e pedimos uma sobremesa fantástica. Um Petit Gateau de Queijo com Figo. Aliás, não é qualquer queijo: é o queijo da serra da Canastra. Muito saboroso!

Sobremesa - Petit Gateau de Queijo com Figo

Sobremesa – Petit Gateau de Queijo com Figo

Ir ao restaurante Hermengarda é realmente fazer uma viagem nas histórias de Minas e comer o Arroz à Amado é uma experiência que vale a pena! Em Belo Horizonte, não perca!

Polvo do Mané – Ostradamus

Atenção tripulantes do navio Ostradamus! Preparem seus estômagos que nossa viagem vai começar! É exatamente assim, dentro de um navio, que os clientes se sentem ao entrar no restaurante Ostradamus, que fica localizado no sul da ilha de Florianópolis, em Santa Catarina.

Logo na proa do restaurante, já nos deparamos com a bela decoração marítima e muitos e muitos pratos da boa lembrança, deixando claro que o estabelecimento faz parte da associação dos restaurantes do prato da boa lembrança.

O sul da ilha de Florianópolis é uma pequena vila de casinhas antigas e muito bem conservadas de colonização açoriana. Há ruazinhas estreitas, de mão dupla, e calçadas que são tão estreitas que mal passa uma pessoa. Um verdadeiro charme.

O restaurante fica na orla e é dividido em dois agradabilíssimos ambientes. Um dos ambientes é como o “calado”de um navio, com uma decoração rústica com mesas decoradas e o segundo ambiente fica em um pier. Isso mesmo: o restaurante aproveitou um pier para fazer parte do grande navio Ostradamus. O pier é devidamente decorado como um corredor de navio e é de lá que podemos avistar as belas gaivotas que ficam em torno do restaurante e  o viveiro de ostras que é a especialidade e a base do nome do lugar.

Priscila, próxima ao filtro para limpeza das ostras

Priscila, próxima ao filtro para limpeza das ostras

Os marinheiros, vestidos de garçons (ou seria o contrário?!), atendem muito bem. O cardápio é em forma do mapa do tesouro gastronômico. E é mesmo. Uma pessoa que sofre de alergias à camarão, que é muito comum, tem algum problema para escolher a comida.

Salão do Ostradamus

Salão do Ostradamus

O prato da Boa Lembrança da vez é o “Polvo do Mané”. Além de lindo e gostoso é extremante generoso: você tem um grande trabalho para comê-lo inteiro. Principalmente porque você vai se sentir obrigado a pedir uma entrada de ostras gratinadas, e por isso vai estar com menos fome quando o prato principal chegar.

As ostras assadas vem sob um molho balsâmico muito saboroso e um grande pedaço de polvo muito bem temperado são os principais do prato. O arroz que acompanha é simplesmente fantástico, com pedações de figo turco seco e pimentas leves diversas, que combinam maravilhosamente bem. O nome do prato é uma homenagem aos homens que nascem na ilha de Florianópolis, que são carinhosamente chamados de “Manezinhos” da ilha.

Polvo do Mané - Ostrdamus

Polvo do Mané – Ostrdamus

Como falei, não é necessário pedir entrada ou couver, mas é obrigatório. Ninguém pode ir ao Ostradamus e deixar de comer as maravilhosas ostras cultivadas pelo próprio restaurante. Tem para todos os gostos, mas as melhores são as gratinadas.

Ostras de entrada: a especialidade do Ostradamus

Ostras de entrada: a especialidade do Ostradamus

A gratinada é de comer rezando, a ostra vem devidamente cozida dentro da concha coberta com queijo provolone.  Hummm! Só de lembrar dá vontade de voltar no restaurante. A sobremesa é dispensável já que logo no desembarque encontramos uma cafeteria de nome engraçado Tens Tempo que vende maravilhosas guloseimas portuguesas. Lá você encontra pastelzinho de Belém e um doce maravilhoso de fios de ovos que não me recordo o nome mas é inconfundível.

Polvo do Mané - Ostrdamus

Polvo do Mané – Ostrdamus

Sem dúvida foi uma viagem gastronômica que vai deixar uma imensa saudade, com certeza depois disso nenhuma ostra no Brasil vai ser a mesma. Parabéns aos marinheiros pelo excelente atendimento, parabéns ao Jaime José de Barcelos pela iniciativa de comandar esse navio onde nenhum tripulante tem o direito de sair descontente.