Caboclo Bello – Lá em Casa

Essa paixão pela arte gastronômica nos leva aos lugares mais inusitados do Brasil. Conhecemos lugares e pessoas das mais variadas formas e culturas diferentes. Em Belém do Pará não podia ser diferente. Neste post, faremos nossa última crítica da série sobre os restaurantes de Belém, que também contou com as críticas ao Remanso do Peixe e ao Dom Giuseppe / Famiglia Sicilia.

O Pará é estado diferente de tudo o que já vi até hoje, a começar pelo clima. Enquanto todo o resto do Brasil anda amontoado de roupas e foge do frio, os belenenses andam a procura de sombra e água fresca para afastar o calor. Considerada a metrópole da Amazônia, Belém do Pará conta com 1,4 milhões de habitantes – é uma cidade grande! E todo o calor em pleno mês de Julho se dá ao fato da cidade ficar (quase) em cima da linha do equador.

A cidade tem como ponto turístico um dos mercados mais conhecido do Brasil – O Mercado Ver o Peso. É a maior feira ao ar livre da América Latina e é lá que se encontra todo tipo de coisas e ervas da amazônia. É uma feira enorme e dividida por setores: alimentícios, artesanato local, castanhas, frutas, verduras e peixes. É de impressionar qualquer um, principalmente se for mineira como eu. Camarões enormes, peixes variados da região – por incrível que pareça o maior peixe de chama filhote.

Uma posta do peixe chamado "Filhote", no Mercado Ver-o-peso

Uma posta do peixe chamado “Filhote”, no Mercado Ver-o-peso

Lá no mercado podemos presenciar a fabricação do famoso Tucupi, caldo saboroso extraído da mandioca e se não for muito bem feito pode ser um veneno perigoso. Claro que não pude deixar de trazer, né?! Assim como a maioria dos mercados do Brasil, o Ver o Peso é um lugar muito eclético. Tem de tudo e para todos os gostos.

A maior parte do patrimônio histórico da cidade fica localizado nas mediações do mercado, que por sinal é muito sujo. É um contra-senso: apesar da população local se orgulhar do mercado, a impressão que temos é que eles mesmos não fazem questão de conservar o local, que tem um cheiro muito forte de esgoto e urina. De qualquer modo, vale muito à pena visitar o Forte do Presépio, a Catedral da Sé, o museu de Arte sacra, o Feliz Luzitânia, e outros museus que contam a história de Belém. É também nas imediações que ficam as Docas, outro belo ponto turístico de Belém. As Docas eram antigas mas foram totalmente restauradas e revitalizadas magnificamente, o que nos lembrou bastante Puerto Madero, de Buenos Aires.

E é nesta Doca que fica localizado o restaurante “Lá em Casa” que faz parte da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança e nos trouxe até aqui. O restaurante Lá em Casa foge do padrão de todos os outros restaurantes da associação que eu já conheci. Fica localizado dentro das Docas, numa espécie de praça de alimentação, juntamente com outros restaurantes. Ele é uma especie de bar ou self service de luxo e tem um linda vista do enorme Rio Guajará, tendo o arquipélago do Marajó ao fundo.

Interior do restaurante "Lá em Casa", que fica dentro das Docas de Belém

Interior do restaurante “Lá em Casa”, que fica dentro das Docas de Belém

Como é um restaurante aberto não vimos nenhuma das belas porcelanas decorando o ambiente, como é comum nos outros restaurantes da associação. No dia em que fomos (sábado) o restaurante estava vazio às 12h30 mas ficou lotado por volta das 14h. A maioria dos clientes fica somente no buffet self service, mas nós preferimos o à la carte, claro.

Entrada - Bolinho de Carne Seca com Jambu

Entrada – Bolinho de Carne Seca com Jambu

O prato da boa lembrança foi o “Caboclo Bello”, uma bela – e inusitada – combinação do peixe regional Pirarucu frito com uma massa penne e uma farofa de castanha. Inicialmente assustamos com a combinação –massa e farofa. Mas após a degustação mudamos de ideia e achamos que combinou, embora pode-se dizer que a massa se tornou desnecessária diante do sabor do peixe e da farofa típica. Se eu fosse o chef teria aumentado a farofa e cortado a massa!

Caboclo Bello - Lá em Casa

Caboclo Bello – Lá em Casa

Junto é servido um molho de tucupi com pimenta de cheiro. Tomem cuidado, ela é MEGA potente! Uma pimenta extremamente forte e os garços, que atendem muito bem, se esquecem de avisar o cliente da “bravura” da pimenta.

Caboclo Bello - Lá em Casa

Caboclo Bello – Lá em Casa

A sobremesa é uma cortesia da casa. São servidos doces de frutas regionais como o creme de cupuaçu, que é muito saboroso. Mas quer uma sugestão? Vale a pena encarar uma “segunda sobremesa”, na sorveteria Cairu, que fica ao lado do restaurante. Ele tem sorvetes fantásticos, feitos com frutas nativas. É difícil voltar a tomar os sorvetes sem imaginação do sudeste depois de conhecer os sorvetes paraenses!

Enfim, depois de fazer o seu tour gastronômico pela metrópole da Amazônia, não deixe de tomar o maravilhoso sorvete Cairu, tomar as cervejas Cerpa e Amazon Beer, comprar pimenta de cheiro, tucupi, jambu (agrião-da-amazônia) e muita castanha do Pará!

Em Belém, não deixa de conhecer o Lá em Casa, uma das atrações turísticas da cidade.

Filhote à Delícia – Remanso do Peixe

Olá! Hoje vamos continuar nossa série de avaliações dos restaurantes de Belém do Pará!  E o Remanso do Peixe é um dos restaurantes mais bem avaliados pelos moradores de lá. Entretanto, não fica no circuito badalado da cidade. Ao contrário, fica num bairro afastado, dentro de uma pequena vila. Não há nenhuma indicação na casa.

Os taxistas conhecem a rua onde fica localizado, mas desconhecem o restaurante, o que torna um pouco difícil de achá-lo. Logo na entrada da Vila onde fica o restaurante há um segurança que, caso solicitado, indica exatamente a casa onde fica o tão procurado e bem avaliado Remanso do Peixe.

O restaurante fica em um sobrado sem nenhuma indicação de restaurante. Logo na entrada conta com mais um segurança que confirma que lá é o local certo e lhe indica aonde você deve ir. É dividido em três ambientes, sendo um no térreo e dois no segundo andar.

Interior do restaurante Remando do Peixe

Interior do restaurante Remando do Peixe

É interessante notarmos que os belenenses tem o costume de comer mais tarde, tanto no almoço como no jantar. Os restaurantes começam a ficar mais movimentados a partir das 21h. Então, como chegamos às 20h, foi um tanto estranho: não havia nenhum garçom ou maitre para nos receber. Mas o “problema” foi logo resolvido com o ótimo atendimento de um rapaz que nos levou até a mesa e apresentou o maravilhoso cardápio que conta com pratos variados da região, como o famoso “pato no tucupi”.

O prato da boa lembrança que nos levou até lá foi o “Filhote à Delícia”. Filhote é um peixe da região, parente do tubarão, de carne branca e macia e que chega a pesar até 300 kg. O restaurante é especialista em peixes refogados, enquanto o outro restaurante do mesmo dono, chamado Remando do Bosque, é especializado em assados.

Filhote à Delícia - Remanso do Peixe

Filhote à Delícia – Remanso do Peixe

O filhote à delícia é uma posta generosa de filhote, sobreposto com banana nanica e cozido num creme à base de milho verde, leite e queijo do Marajó extremamente suave e gostoso. É servido na panela de barro, o que dá muito charme ao prato, que vem acompanhado de arroz branco. É um prato grande que em principio você acha que serve dois, mas o sabor é tão bom que você acaba comendo o prato quase inteiro e percebe que não daria para dividir.

Queijo do Marajó: ingrediente típico do Pará e uma das bases do prato

Queijo do Marajó: ingrediente típico do Pará e uma das bases do prato

Apesar de ser um peixe, o prato harmonizou muito bem com a cerveja Cerpa extremamente gelada. Cerpa é uma das cervejas feitas na região que não costumamos encontrar facilmente na região sudeste e compete muito bem com a outras. Em um clima tão quente fica difícil dizer qual delas é a melhor estando muito gelada.

Filhote à delícia

Filhote à delícia

Remanso do Peixe é na nossa opinião uma super aventura gastronômica e um super restaurante de comida regional! Deu para entender porque é tão amado pelos Belenenses! Imperdível!

Risoto nero Dr. Arlen Jones – Dom Giuseppe / Famiglia Sicilia

Belém do Pará é uma cidade fantástica. Aqui estamos no verão, enquanto o resto do Brasil sofre com o frio do inverno. O povo hospitaleiro e simples nos recebe muito bem. O trânsito é tranquilo e nos sentimos numa cidade pequena, embora estejamos na “metrópole da amazônia”, um centro urbano de mais de um milhão de habitantes.

O restaurante Famiglia Sicilia tem a fama de ser o melhor Italiano de Belém. Fomos lá conferir.

Aliás, o restaurante se chamava Dom Guiseppe, que é o nome do fundador, Guiseppe Sicilia. Este é o nome que o pessoal da Associação da Boa Lembrança ainda se refere a ele. Mas atualmente o nome fantasia do lugar é Famiglia Sicilia. Provavelmente a mudança aconteceu porque atualmente o restaurante é comandado pelo filho do Guiseppe, Fábio Sicilia.

O ambiente do restaurante é lindo. Podemos perceber que ele é preparado para receber festas e outros eventos, pois tem sistema de som e iluminação para isso. Nas paredes, uma bela decoração, sobre a imigração italiana ao Brasil.

Interior do restaurante Dom Guiseppe - Famiglia Sicilia

Interior do restaurante Dom Guiseppe – Famiglia Sicilia

Garçons são bastante distintos e bem informados. Sabem realmente atender bem. Cada um deles tem um pager, que pode ser acionado por um pequeno aparelho nas mesas. É a primeira vez que vimos um sistema como este num restaurante de luxo. Já ouvi dizer que os restauranters costumam achar este sistema deselegante, mas eu acho este pensamento tolo. O sistema é mesmo útil e não há nada de deselegante em modernizar as coisas. Bom, mas de qualquer forma não precisamos usar o sistema, já que o garçom estava sempre ao nosso lado.

Bom, mas vamos ao que mais interessa: a comida!

O prato da boa lembrança deste restaurante é o Risoto Nero Dr. Arlen Jones. Aliás, a rápida velocidade com que o prato ficou pronto nos chamou a atenção; foram pouquíssimos minutos.

Risoto nero Dr. Arlen Jones

Risoto nero Dr. Arlen Jones

O risoto é mesmo delicioso, feito à base de arroz negro, mas nos parece que não havia nenhum queijo, o que seria incomum num risoto. A falta do queijo foi logo corrigida pelo garçom, que ofereceu um queijo parmesão ralado na hora. O risoto leva lascas de salmão, lula, polvo e muitos camarões-rosa. Uma  pimenta do reino não é bem pronunciada, mas pode ser sentida.

Para quem ficou curioso como eu, o homenageado no prato, dr. Arlen Jones Tavares é um conhecido cirurgião plástico paraense.

Risoto nero Dr. Arlen Jones

Risoto nero Dr. Arlen Jones

No final, quisemos provar algum doce típico do Pará e por isto escolhemos um pudim de leite com Cumaru, uma erva da Amazônia parecida com baunilha. Um sabor bem intenso e muito interessante. Muito diferente dos sabores do sul do país.

Pudim de Cumaru

Pudim de Cumaru

Parabéns à família Sicilia, por fazer este show de alta gastronomia no norte do país!

Bombolotti al modo mio – D’artagnan

No coração do Bairro de Lourdes, um dos mais elegantes da capital mineira, está o Dartagnan. O bar/restaurante fica em uma praça agradável, e vive lotado nas noites, principalmente aos finais de semana. Perto dele, ficam outros bares badalados.

O salão principal funciona praticamente como um barzinho-chique. Já o salão secundário tem uma luz mais amena, um balcão de metal retrô e um clima mais íntimo, onde geralmente fica quem está lá para jantar, como era o nosso caso.

Não é fácil conseguir lugar. Ano passado, mais de uma vez tentamos sem sucesso uma reversa durante o final de semana. Desta vez, reservamos numa terça-feira e deu certo: lá fomos nós em busca do nosso prato da boa lembrança.

De começo, chama a atenção a simpatia e o bom atendimento dos garçons e do maitre. Abrimos os trabalhos com um par de cervejinhas long neck e pastéis do famoso queijo minas da serra canastra, afinal estávamos nos sentindo num bar! O pastel é ótimo: o queijo forte dá o ton. A porção vem acompanhada de um chutney agridoce delicioso, de tomate e alho poró.

Porção de pastéis de queijo minas da canastra do Dartagnan: boa pedida!

Porção de pastéis de queijo minas da canastra do Dartagnan: boa pedida!

Logo depois, veio o tão aguardado prato da Boa Lembrança. O site da associação dos restaurantes da Boa Lembrança está desatualizado neste departamento. Ele ainda mostra que o prato do Dartagnan  ainda é o Coelho ao Vinho Tinto, de 2012. Mas na verdade, é o “Bombolotti al modo mio”, já de 2013.

A apresentação do prato surpreende. Ele é servido numa “panelinha” de alumínio “retrô”.

Bombolotti ao modo mio - Dartagnan

Bombolotti ao modo mio – Dartagnan

Para quem não sabe, “bombolotti” é uma das clássicas massas curtas Italianas, que ao meu ver é idêntico ao rigatoni. Na verdade, a diferença entre ele e o rigatoni, o sedani, o fusilli, o penne e o tortiglioni é muito pequena. Basicamente é somente a forma do corte a textura externa. Na roça, chamamos de “goela de pato”.

Bombolotti ao modo mio - Dartagnan

Bombolotti ao modo mio – Dartagnan

O molho rosê é maravilhoso, com pedaços pequenos de linguiça calabresa. O prato é bem apimentado, o que nos surpreende já que isso não é muito comum. Eu, que gosto de comidas mais fortes, adorei. Mas pode ser agressivo demais para pessoas com temperamento gastronômico mais leve.

O petit gateau do Dartagnan

O petit gateau do Dartagnan

De saída, pedimos um Petit Gateau de chocolate com sorvete Häagen-Dazs de creme. Só pela descrição você já deve estar pensando: “deve ser uma delícia”. E é mesmo. Dá pra saber porque é um dos restaurantes mais concorridos de BH. Não perca!