Mignon em Crosta de Prima Donna – Nez Bistrô

Olá, Pessoal!

Este é o último post da nossa série sobre os pratos da Boa Lembrança de Pernambuco!

E entre as maravilhas históricas da capital pernambucana Recife, não poderíamos nos esquecer de citar o restaurante Nez Bistrô. Ele fica localizado na Praça de “Casa Forte”, em um casarão histórico do século XVII, onde havia uma senzala do Engenho Casa Forte. Foi fundado em 2007 e já conta com uma filial na praia de Boa Viagem – isso mostra como o restaurante é conceituado e por isso faz parte da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança.

Ele é composto de dois agradáveis ambientes muito bem decorados. A fachada é muito interessante, lembra realmente um “bistrozinho”, com banquinhos e mesinha bistrô para aconchegar os clientes. Como estávamos passeando por Recife, não fizemos reserva e chegamos ao restaurante às 18:00 horas, horário que o restaurante deveria abrir segundo o site.

Nez Bistrô

Nez Bistrô

Notamos que os estabelecimentos em Recife não se preocupam muito com o horário de abertura. Aconteceu um atraso, assim como no Sushi Yoshi. Mas o atraso do Nez foi bem menor e como estávamos a passeio não nos prejudicou em nada. E o jantar foi muito agradável.

O restaurante tem capacidade para atender 85 clientes. Sua ambientação mescla tijolos aparentes e lajotas da época do casario, com quadros do artista plástico
pernambucano Romero de Andrade Lima (que retratam temas relacionados ao vinho) e uma coleção de pequenos espelhos. Um lugar muito aconchegante.

Desde o Maître até o garçon o atendimento é nota mil. Como sua especialidade é comida francesa, não poderia faltar uma bela adega com variados cardápios de ótimos vinhos. Desde 2013 a cozinha do Nez está sob o comando chef Bruno Didier, que possui vasta experiência internacioanl. Entre os clássicos do cardápio da casa estão entradas como o Gratin de Prima Donna (nacos de queijo Prima Donna com uma leve crosta de açúcar caramelado queimado no maçarico) e o Mil Folhas de Mignon (lâminas de filé mignon intercaladas com shitakes grelhados e molho due de mostarda).

Mignon em Crosta de Prima Donna – Nez Bistrô

Mignon em Crosta de Prima Donna – Nez Bistrô

E como prato principal, claro que pedimos o prato da boa lembrança: o Mignon em Crosta de Prima Donna. Um belo filé tornedor grelhado no azeite com uma crosta do queijo Prima Donna e servido com um maravilhoso risoto. Um prato maravilhoso para quem é amante de carne vermelha.

Mignon em Crosta de Prima Donna

Mignon em Crosta de Prima Donna

Prima Donna é um queijo francês maturado, assim como os melhores vinhos, até o ponto máximo do sabor. Não tem um determinado tempo para maturar e sim até atingir uma determinada composição de aromas e sabores. Por conta disso o queijo Prima Donna é considerado uma verdadeira iguaria.

Queijo Prima Donna

Queijo Prima Donna

Depois dessa maravilha gastronômica não poderíamos deixar de provar uma das belas sobremesas da casa.

A sobremesa do Nez Bistrô

A sobremesa do Nez Bistrô

Conhecendo pessoalmente o Nez Bistrô e depois de tanto pesquisar sobre o restaurante não tenho dúvidas de que o Mignon em Crosta de Prima Donna é somente uma das maravilhas que compõe o cardápio do chef Bruno Didier.

Indo a Recife não deixe de desfrutar das maravilhas gastronômicas que o Nez Bristrô pode lhe proporcionar.

Costelinha de Porco cozida no vácuo – Mingus

Seguimos com nossas avaliações da cidade de Recife, uma das capitais nordestinas que vem se desenvolvendo de forma notável. É a cidade com mais oportunidades de emprego nas áreas de Tecnologia da Informação do nordeste. Tem forte apelo cultural em diversas áreas como a música, a arte e criações. Isso pode ser notado pelo belo centro histórico da cidade que reúne museus, fortes, igrejas e um tradicional mercado. Os pernambucanos são pessoas muito simpáticas e dão muito valor à sua cultura. Sem falar no tradicional carnaval, que leva milhares de pessoas às ruas de Recife e Olinda, para dançar o tradicional Frevo.

E além de toda a cultura, como já falamos, Recife é a capital da associação da Boa Lembrança. Ficamos felizes em receber o convite para conhecer a sede da associação, mas já tínhamos retornado para Minas. Fica para uma próxima vez!

O restaurante que vamos avaliar hoje é o charmoso Mingus, que fica localizado bem próximo ao primeiro jardim da belíssima praia de Boa Viagem. Ele fica em uma casa bastante interessante por fora. Quando fomos, parecia que o estabelecimento estava fechado, pois nada indicava que ele estava em funcionamento. Chegamos para o almoço de Domingo e não tínhamos feito reserva. Isso não foi problema porque o restaurante não estava cheio.

Interior do restaurante Mingus

Interior do restaurante Mingus

Fomos muito bem recepcionados e levados até a mesa. O salão é pequeno e aconchegante, com cerca de 15 mesas. O ambiente é muito agradável e nos faz relembrar os tempos do Jazz, com o painel enorme com o retrato de grandes compositores como Charles Mingus, Chet Baker, Astor Piazzolla, Tom Jobim, entre outros. Como pode ser notado, o nome do restaurante é uma homenagem ao Charles Mingus.

No salão, existe um lindo piano de cauda que naquele momento não estava sendo usado. Tem uma adega muito interessante, parece um freezer de açougue. Gostei muito desse modelo de adega, combinou com o ambiente. O restaurante gosta de deixar claro aos seus clientes e funcionários a missão e os valores da empresa. Algo incomum, mas que agrada algumas pessoas.

O atendimento é nota mil e menu é escolhido num tablet. É inovador e muito funcional. O prato escolhido foi o Costelinha de Porco cozida no vácuo, claro, pois é o prato da boa lembrança. Isto o torna diferente de todos os restaurantes de Pernambuco, que não usam o porco e usam em sua maioria os frutos do mar como base principal do prato.

O inovador menu do Mingus, que está em um tablet

O inovador menu do Mingus, que está em um tablet

Eu, como uma boa mineira, adoro costelinha de porco. Me senti no paraíso depois de sete dias comendo pescados. O prato traz ripas de costelinhas cozidas com molho barbecue e nhoque de madioquinha (também chamada de batata salsa). Uma verdadeira delicia este nhoque. Extremamente suave! E as costelinhas são muito macias.

Costelinha de Porco cozida no vácuo  - Mingus

Costelinha de Porco cozida no vácuo – Mingus

Confesso que fiquei com vontade de pegar os ossinhos com a mão e comer como um “ogro” (vamos ser francos, costelinhas são feitas para se comer com as mãos!). Mas, é claro, o requinte do restaurante não deixa os clientes se sentirem tão à vontade e eu deixei o impulso selvagem passar. Mesmo assim, foi muito bom conhecer esse maravilhoso ambiente que faz uma mistura de música e gastronomia muito bem feitas.

Parabéns ao responsável, Nicolau Sultanum, e aos chefes Roberto Manuel e Luis Rogério Costa pelo excelente trabalho realizado no restaurante Mingus. Com certeza voltaremos em outra ocasião!

Beijuíndia – Beijupirá

Porto de Galinhas é uma das praias mais bonitas do Brasil e fica localizada no município de Ipojuca, pertinho de Recife (cerca de 70 km do centro). O lugar é repleto de piscinas naturais formadas pela água do mar que se prende nos arrecifes na maré baixa. Lá, é possível verificar grande variedade de lindos peixes coloridos.

Ir ao litoral sul do estado de Pernambuco e não visitar Porto de Galinhas é a mesma coisa de ir a um restaurante que faz parte da associação dos restaurantes da Boa Lembrança e não comer o prato da Boa Lembrança!

Porto de Galinhas

Porto de Galinhas

Durante nossa estadia a maré não estava amiga dos turistas (que ficam loucos para fazer mergulho), porque ela ficava a maior parte do dia alta. Mas tudo acaba sendo compensado com a linda vila cheia de lojinhas de um belo artesanato e as esculturas de galinhas que ficam por toda a cidade. Impossível não querer tirar uma foto com elas.

O nome “Porto de Galinhas” surgiu após 1850. Nesta época ainda existia escravidão no Brasil, mas o Imperador criou uma lei que proibia o tráfico de escravos. Mas, como é normal no Brasil, o pessoal deu um jeitinho para ignorar a lei, e continuou trazendo africanos clandestinamente. Para fugir da fiscalização do porte de Recife, os traficantes de negros desembarcavam os coitados escondidos em engradados de galinhas-d’angola, na praia que ficou conhecida como “porto de galinhas”.

E é em Porto de Galinhas que fica localizado o famoso restaurante Beijupirá. Para nós, este restaurante é histórico, pois foi lá, há alguns anos atrás que começamos nossa linda coleção dos pratos da Boa Lembrança. Chegar ao restaurante que fica localizado na vila não é tarefa fácil para quem está de carro, pois a prefeitura fechou o centro para automóveis, sendo necessário ir a pé.

Um restaurante conceituadíssimo que está expandindo suas fronteiras: já tem filial em Olinda, Maceió, Fernando de Noronha, Salvador, Praia dos Carneiros e Brasília.  Sua especialidade são frutos do mar e, como o próprio nome já diz, o peixe estrela da casa é o Beijupirá.

Chegamos ao restaurante no Domingo para o almoço e não estava cheio. A decoração é linda e te faz sentir que está mesmo em uma praia. Tem um espaço com ar condicionado, o que é muito bem vindo no calor nordestino, mas o espaço aberto é muito mais agradável. 

Interior do Restaurante Beijupirá

Interior do Restaurante Beijupirá

Beijupirá é o rei dos peixes, reza a tradição indígena. Não vive em cardumes, nem é pescado em quantidade. Diz a lenda que aquele que pesca um beijupirá deve hastear uma bandeira vermelha ou branca anunciando a honra de tê-lo pescado, saboreando-o com os amigos e dividindo assim a sua sorte.

O tão esperado prato de 2013 é o “Beijuíndia”. O principal deste prato é uma generosa posta do peixe beijupirá empanado com ervas. Ele é servido com arroz branco, este cozido com capim santo, o que dá um sabor interessante ao arroz. Junto também vem uma porção de chutney de pitanga, uma maravilha.

Beijuíndia - Beijupirá

Beijuíndia – Beijupirá

 

Como todos os pratos do restaurante, o beijuíndia é muito bonito e os pedaços de pitanga do chutney dão um charme muito especial.

Beijuíndia - Beijupirá

Beijuíndia – Beijupirá

Parabéns para Adriana Didier que conseguiu dividir a sua sorte com todos os clientes do Beijupirá.

Salmão San – Sushi yoshi

Continuando nosso passeio gastronômico por Recife, que começou pelo Restaurante Ponte Nova, fomos visitar o Sushi Yoshi, um restaurante tradicional japonês. Fomos até ele numa caminhada tranquila de 15 minutos saindo da praia de boa viagem, a principal de Recife. A fachada não impressiona e não é condizente com a qualidade do restaurante. E apesar do restaurante teoricamente abrir as 12h, chegamos lá neste horário e tivemos que esperar alguns minutos.

Fachada do Restaurante Sushi Yoshi

Fachada do Restaurante Sushi Yoshi

Mas uma vez dentro, gostamos da decoração, muito interessante e com belos quadros e esculturas japonesas.

Decoração do restaurante Sushi Yoshi

Decoração do restaurante Sushi Yoshi

Logo acima do balcão onde fica o Sushiman, vemos uma decoração de pratos da boa lembrança.

Pratos da Boa Lembrança do Sushi Yoshi

Pratos da Boa Lembrança do Sushi Yoshi

Close no boneco do sr. Yoshi

Close no boneco do sr. Yoshi

Agora, falando de gastronomia: adoramos a entrada, uma pequena delícia chamada “pipoca”. É uma espécie de Sushi de Flocos de arroz e cebola frita. A meitre, que aliás é uma simpatia, nos afirmou que aquele era uma iguaria que só encontraríamos lá. Trata-se de uma invenção do chef, Masayoshi Matsumoto, o sr. Yoshi, ou em japonês “Yoshi San”.

"Pipoca", a entrada do Sushi Yoshi

“Pipoca”, a entrada do Sushi Yoshi

Se você achou que o prato é um sushi e leva peixe cru, está enganado! O prato é a base de salmão grelhado! E aliás, que prato! Um dos mais interessantes e singulares da associação da boa lembrança.

Salmao San - Sushi Yoshi

Salmao San – Sushi Yoshi

O “Salmão San” leva, além do salmão, arroz (japonês, é claro) e batata assada. O peixe é regado num molho de maracujá agridoce muito gostoso. Ele vem numa montagem linda, lembrando o salmão de fato.

Salmao San - Sushi Yoshi

Salmao San – Sushi Yoshi

Enfim, o chefe Yoshi conseguiu criar um prato bonito, delicioso e muito original. Em Recife, não perca!

Pescado Matuto – Ponte Nova

Olá, Pessoal!

Hoje vamos iniciar mais uma séria de avaliações. Desta vez, vamos avaliar os restaurantes da grande Recife, a linda capital do estado de Pernambuco.

Podemos dizer que Recife é a capital do prato da Boa Lembrança. Embora o Rio de Janeiro tenha mais restaurantes associados, Recife é a sede da associação.

O primeiro restaurante que fomos visitar foi o Ponte Nova. Ele não é fácil de se achar. Fica num bairro residencial (bairro das Graças) e o taxista não conhecia nem ele nem o nome da rua. Usamos o GPS do meu celular para chegar lá.

Era a noite de uma sexta-feira e o restaurante estava lotado, com fila de espera para uma mesa. Mas o garçom, muito solícito, nos levou até um jardim de inverno onde poderíamos esperar por uma mesa. Tivemos a sorte e uma mesa interna foi liberada rapidinho. Está aí a primeiro dica: o Ponte Nova fica lotado e é melhor fazer reserva.

O restaurante fica localizado em uma casa que foi muito bem adaptada. Existem somente 2 ambientes de mesas, ambos relativamente pequenos mas elegantes. Os pratos da Boa Lembrança decoram o ambiente com muita delicadeza.

Interior do Ponte Nova

Interior do Ponte Nova

O atendimento foi muito bom, desde a portaria até o maitre, mas o prato demorou cerca de 40 minutos para chegar, algo pode ser explicado (mas não justificado) pelo fato do restaurante estar cheio. Ouvimos as pessoas da mesa ao lado comentarem insatisfeitas sobre a demora também.

Mas vamos ao que interessa: o prato da Boa Lembrança de 2013 deste restaurante é o “Pescado Matuto”. Estamos falando de um bonito filé grelhado de um peixe chamado sirigado acompanhado de um delicioso feijão com pirão de farinha de mandioca. O feijão é do tipo verde e ele está misturado com queijo coalho e minas. O prato ainda conta com um interessante vinagrete de cenoura, manga, repolho, pepino e cebola roxa.

Pescado Matuto - Ponte Nova

Pescado Matuto – Ponte Nova

Em muitas fontes encontramos que o sirigado na verdade é o outro nome do “badejo”. Mas outros afirmam que eles são parecidíssimos mas peixes diferentes. De qualquer forma, gastronomicamente são realmente idênticos.

Pescado Matuto - Ponte Nova

Pescado Matuto – Ponte Nova

O prato realmente é digno de ser da boa lembrança. Um ótimo mix da gastronomia pernambucana com francesa feito pelo chef Joca Pontes!

Aguarde, pois na semana que vem teremos mais uma avaliação de Recife!

Caboclo Bello – Lá em Casa

Essa paixão pela arte gastronômica nos leva aos lugares mais inusitados do Brasil. Conhecemos lugares e pessoas das mais variadas formas e culturas diferentes. Em Belém do Pará não podia ser diferente. Neste post, faremos nossa última crítica da série sobre os restaurantes de Belém, que também contou com as críticas ao Remanso do Peixe e ao Dom Giuseppe / Famiglia Sicilia.

O Pará é estado diferente de tudo o que já vi até hoje, a começar pelo clima. Enquanto todo o resto do Brasil anda amontoado de roupas e foge do frio, os belenenses andam a procura de sombra e água fresca para afastar o calor. Considerada a metrópole da Amazônia, Belém do Pará conta com 1,4 milhões de habitantes – é uma cidade grande! E todo o calor em pleno mês de Julho se dá ao fato da cidade ficar (quase) em cima da linha do equador.

A cidade tem como ponto turístico um dos mercados mais conhecido do Brasil – O Mercado Ver o Peso. É a maior feira ao ar livre da América Latina e é lá que se encontra todo tipo de coisas e ervas da amazônia. É uma feira enorme e dividida por setores: alimentícios, artesanato local, castanhas, frutas, verduras e peixes. É de impressionar qualquer um, principalmente se for mineira como eu. Camarões enormes, peixes variados da região – por incrível que pareça o maior peixe de chama filhote.

Uma posta do peixe chamado "Filhote", no Mercado Ver-o-peso

Uma posta do peixe chamado “Filhote”, no Mercado Ver-o-peso

Lá no mercado podemos presenciar a fabricação do famoso Tucupi, caldo saboroso extraído da mandioca e se não for muito bem feito pode ser um veneno perigoso. Claro que não pude deixar de trazer, né?! Assim como a maioria dos mercados do Brasil, o Ver o Peso é um lugar muito eclético. Tem de tudo e para todos os gostos.

A maior parte do patrimônio histórico da cidade fica localizado nas mediações do mercado, que por sinal é muito sujo. É um contra-senso: apesar da população local se orgulhar do mercado, a impressão que temos é que eles mesmos não fazem questão de conservar o local, que tem um cheiro muito forte de esgoto e urina. De qualquer modo, vale muito à pena visitar o Forte do Presépio, a Catedral da Sé, o museu de Arte sacra, o Feliz Luzitânia, e outros museus que contam a história de Belém. É também nas imediações que ficam as Docas, outro belo ponto turístico de Belém. As Docas eram antigas mas foram totalmente restauradas e revitalizadas magnificamente, o que nos lembrou bastante Puerto Madero, de Buenos Aires.

E é nesta Doca que fica localizado o restaurante “Lá em Casa” que faz parte da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança e nos trouxe até aqui. O restaurante Lá em Casa foge do padrão de todos os outros restaurantes da associação que eu já conheci. Fica localizado dentro das Docas, numa espécie de praça de alimentação, juntamente com outros restaurantes. Ele é uma especie de bar ou self service de luxo e tem um linda vista do enorme Rio Guajará, tendo o arquipélago do Marajó ao fundo.

Interior do restaurante "Lá em Casa", que fica dentro das Docas de Belém

Interior do restaurante “Lá em Casa”, que fica dentro das Docas de Belém

Como é um restaurante aberto não vimos nenhuma das belas porcelanas decorando o ambiente, como é comum nos outros restaurantes da associação. No dia em que fomos (sábado) o restaurante estava vazio às 12h30 mas ficou lotado por volta das 14h. A maioria dos clientes fica somente no buffet self service, mas nós preferimos o à la carte, claro.

Entrada - Bolinho de Carne Seca com Jambu

Entrada – Bolinho de Carne Seca com Jambu

O prato da boa lembrança foi o “Caboclo Bello”, uma bela – e inusitada – combinação do peixe regional Pirarucu frito com uma massa penne e uma farofa de castanha. Inicialmente assustamos com a combinação –massa e farofa. Mas após a degustação mudamos de ideia e achamos que combinou, embora pode-se dizer que a massa se tornou desnecessária diante do sabor do peixe e da farofa típica. Se eu fosse o chef teria aumentado a farofa e cortado a massa!

Caboclo Bello - Lá em Casa

Caboclo Bello – Lá em Casa

Junto é servido um molho de tucupi com pimenta de cheiro. Tomem cuidado, ela é MEGA potente! Uma pimenta extremamente forte e os garços, que atendem muito bem, se esquecem de avisar o cliente da “bravura” da pimenta.

Caboclo Bello - Lá em Casa

Caboclo Bello – Lá em Casa

A sobremesa é uma cortesia da casa. São servidos doces de frutas regionais como o creme de cupuaçu, que é muito saboroso. Mas quer uma sugestão? Vale a pena encarar uma “segunda sobremesa”, na sorveteria Cairu, que fica ao lado do restaurante. Ele tem sorvetes fantásticos, feitos com frutas nativas. É difícil voltar a tomar os sorvetes sem imaginação do sudeste depois de conhecer os sorvetes paraenses!

Enfim, depois de fazer o seu tour gastronômico pela metrópole da Amazônia, não deixe de tomar o maravilhoso sorvete Cairu, tomar as cervejas Cerpa e Amazon Beer, comprar pimenta de cheiro, tucupi, jambu (agrião-da-amazônia) e muita castanha do Pará!

Em Belém, não deixa de conhecer o Lá em Casa, uma das atrações turísticas da cidade.

Filhote à Delícia – Remanso do Peixe

Olá! Hoje vamos continuar nossa série de avaliações dos restaurantes de Belém do Pará!  E o Remanso do Peixe é um dos restaurantes mais bem avaliados pelos moradores de lá. Entretanto, não fica no circuito badalado da cidade. Ao contrário, fica num bairro afastado, dentro de uma pequena vila. Não há nenhuma indicação na casa.

Os taxistas conhecem a rua onde fica localizado, mas desconhecem o restaurante, o que torna um pouco difícil de achá-lo. Logo na entrada da Vila onde fica o restaurante há um segurança que, caso solicitado, indica exatamente a casa onde fica o tão procurado e bem avaliado Remanso do Peixe.

O restaurante fica em um sobrado sem nenhuma indicação de restaurante. Logo na entrada conta com mais um segurança que confirma que lá é o local certo e lhe indica aonde você deve ir. É dividido em três ambientes, sendo um no térreo e dois no segundo andar.

Interior do restaurante Remando do Peixe

Interior do restaurante Remando do Peixe

É interessante notarmos que os belenenses tem o costume de comer mais tarde, tanto no almoço como no jantar. Os restaurantes começam a ficar mais movimentados a partir das 21h. Então, como chegamos às 20h, foi um tanto estranho: não havia nenhum garçom ou maitre para nos receber. Mas o “problema” foi logo resolvido com o ótimo atendimento de um rapaz que nos levou até a mesa e apresentou o maravilhoso cardápio que conta com pratos variados da região, como o famoso “pato no tucupi”.

O prato da boa lembrança que nos levou até lá foi o “Filhote à Delícia”. Filhote é um peixe da região, parente do tubarão, de carne branca e macia e que chega a pesar até 300 kg. O restaurante é especialista em peixes refogados, enquanto o outro restaurante do mesmo dono, chamado Remando do Bosque, é especializado em assados.

Filhote à Delícia - Remanso do Peixe

Filhote à Delícia – Remanso do Peixe

O filhote à delícia é uma posta generosa de filhote, sobreposto com banana nanica e cozido num creme à base de milho verde, leite e queijo do Marajó extremamente suave e gostoso. É servido na panela de barro, o que dá muito charme ao prato, que vem acompanhado de arroz branco. É um prato grande que em principio você acha que serve dois, mas o sabor é tão bom que você acaba comendo o prato quase inteiro e percebe que não daria para dividir.

Queijo do Marajó: ingrediente típico do Pará e uma das bases do prato

Queijo do Marajó: ingrediente típico do Pará e uma das bases do prato

Apesar de ser um peixe, o prato harmonizou muito bem com a cerveja Cerpa extremamente gelada. Cerpa é uma das cervejas feitas na região que não costumamos encontrar facilmente na região sudeste e compete muito bem com a outras. Em um clima tão quente fica difícil dizer qual delas é a melhor estando muito gelada.

Filhote à delícia

Filhote à delícia

Remanso do Peixe é na nossa opinião uma super aventura gastronômica e um super restaurante de comida regional! Deu para entender porque é tão amado pelos Belenenses! Imperdível!

Risoto nero Dr. Arlen Jones – Dom Giuseppe / Famiglia Sicilia

Belém do Pará é uma cidade fantástica. Aqui estamos no verão, enquanto o resto do Brasil sofre com o frio do inverno. O povo hospitaleiro e simples nos recebe muito bem. O trânsito é tranquilo e nos sentimos numa cidade pequena, embora estejamos na “metrópole da amazônia”, um centro urbano de mais de um milhão de habitantes.

O restaurante Famiglia Sicilia tem a fama de ser o melhor Italiano de Belém. Fomos lá conferir.

Aliás, o restaurante se chamava Dom Guiseppe, que é o nome do fundador, Guiseppe Sicilia. Este é o nome que o pessoal da Associação da Boa Lembrança ainda se refere a ele. Mas atualmente o nome fantasia do lugar é Famiglia Sicilia. Provavelmente a mudança aconteceu porque atualmente o restaurante é comandado pelo filho do Guiseppe, Fábio Sicilia.

O ambiente do restaurante é lindo. Podemos perceber que ele é preparado para receber festas e outros eventos, pois tem sistema de som e iluminação para isso. Nas paredes, uma bela decoração, sobre a imigração italiana ao Brasil.

Interior do restaurante Dom Guiseppe - Famiglia Sicilia

Interior do restaurante Dom Guiseppe – Famiglia Sicilia

Garçons são bastante distintos e bem informados. Sabem realmente atender bem. Cada um deles tem um pager, que pode ser acionado por um pequeno aparelho nas mesas. É a primeira vez que vimos um sistema como este num restaurante de luxo. Já ouvi dizer que os restauranters costumam achar este sistema deselegante, mas eu acho este pensamento tolo. O sistema é mesmo útil e não há nada de deselegante em modernizar as coisas. Bom, mas de qualquer forma não precisamos usar o sistema, já que o garçom estava sempre ao nosso lado.

Bom, mas vamos ao que mais interessa: a comida!

O prato da boa lembrança deste restaurante é o Risoto Nero Dr. Arlen Jones. Aliás, a rápida velocidade com que o prato ficou pronto nos chamou a atenção; foram pouquíssimos minutos.

Risoto nero Dr. Arlen Jones

Risoto nero Dr. Arlen Jones

O risoto é mesmo delicioso, feito à base de arroz negro, mas nos parece que não havia nenhum queijo, o que seria incomum num risoto. A falta do queijo foi logo corrigida pelo garçom, que ofereceu um queijo parmesão ralado na hora. O risoto leva lascas de salmão, lula, polvo e muitos camarões-rosa. Uma  pimenta do reino não é bem pronunciada, mas pode ser sentida.

Para quem ficou curioso como eu, o homenageado no prato, dr. Arlen Jones Tavares é um conhecido cirurgião plástico paraense.

Risoto nero Dr. Arlen Jones

Risoto nero Dr. Arlen Jones

No final, quisemos provar algum doce típico do Pará e por isto escolhemos um pudim de leite com Cumaru, uma erva da Amazônia parecida com baunilha. Um sabor bem intenso e muito interessante. Muito diferente dos sabores do sul do país.

Pudim de Cumaru

Pudim de Cumaru

Parabéns à família Sicilia, por fazer este show de alta gastronomia no norte do país!

Bombolotti al modo mio – D’artagnan

No coração do Bairro de Lourdes, um dos mais elegantes da capital mineira, está o Dartagnan. O bar/restaurante fica em uma praça agradável, e vive lotado nas noites, principalmente aos finais de semana. Perto dele, ficam outros bares badalados.

O salão principal funciona praticamente como um barzinho-chique. Já o salão secundário tem uma luz mais amena, um balcão de metal retrô e um clima mais íntimo, onde geralmente fica quem está lá para jantar, como era o nosso caso.

Não é fácil conseguir lugar. Ano passado, mais de uma vez tentamos sem sucesso uma reversa durante o final de semana. Desta vez, reservamos numa terça-feira e deu certo: lá fomos nós em busca do nosso prato da boa lembrança.

De começo, chama a atenção a simpatia e o bom atendimento dos garçons e do maitre. Abrimos os trabalhos com um par de cervejinhas long neck e pastéis do famoso queijo minas da serra canastra, afinal estávamos nos sentindo num bar! O pastel é ótimo: o queijo forte dá o ton. A porção vem acompanhada de um chutney agridoce delicioso, de tomate e alho poró.

Porção de pastéis de queijo minas da canastra do Dartagnan: boa pedida!

Porção de pastéis de queijo minas da canastra do Dartagnan: boa pedida!

Logo depois, veio o tão aguardado prato da Boa Lembrança. O site da associação dos restaurantes da Boa Lembrança está desatualizado neste departamento. Ele ainda mostra que o prato do Dartagnan  ainda é o Coelho ao Vinho Tinto, de 2012. Mas na verdade, é o “Bombolotti al modo mio”, já de 2013.

A apresentação do prato surpreende. Ele é servido numa “panelinha” de alumínio “retrô”.

Bombolotti ao modo mio - Dartagnan

Bombolotti ao modo mio – Dartagnan

Para quem não sabe, “bombolotti” é uma das clássicas massas curtas Italianas, que ao meu ver é idêntico ao rigatoni. Na verdade, a diferença entre ele e o rigatoni, o sedani, o fusilli, o penne e o tortiglioni é muito pequena. Basicamente é somente a forma do corte a textura externa. Na roça, chamamos de “goela de pato”.

Bombolotti ao modo mio - Dartagnan

Bombolotti ao modo mio – Dartagnan

O molho rosê é maravilhoso, com pedaços pequenos de linguiça calabresa. O prato é bem apimentado, o que nos surpreende já que isso não é muito comum. Eu, que gosto de comidas mais fortes, adorei. Mas pode ser agressivo demais para pessoas com temperamento gastronômico mais leve.

O petit gateau do Dartagnan

O petit gateau do Dartagnan

De saída, pedimos um Petit Gateau de chocolate com sorvete Häagen-Dazs de creme. Só pela descrição você já deve estar pensando: “deve ser uma delícia”. E é mesmo. Dá pra saber porque é um dos restaurantes mais concorridos de BH. Não perca!

O Prato da Boa Lembrança mais caro da atualidade…

No nosso último post, Caldeirada do Comandante, dissemos que o prato do Amadeus seria o mais caro Prato da Boa Lembrança atualmente: R$195,00. De fato, até onde sabemos é o mais caro. Entretanto, como é um prato para duas pessoas, podemos dizer que individualmente o prato sai por R$ 97,50. Agora, uma leitora nos enviou a informação de que o prato do restaurante Dom Francisco – “Bacalhau Prata da Casa” – é individual e custa R$ 110,00, o que faz dele o prato individual mais caro da associação. Se você, leitor conhece algum outro prato mais caro que este, nos avise!